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Último Reduto

O pensamento é o meu refúgio, o último reduto daquilo que sou.

Último Reduto

O pensamento é o meu refúgio, o último reduto daquilo que sou.

Plano futurista de 1986

Ligar Bragança a Puebla de Sanabria

Vamos fazer uma estrada de 20 km que colocará Bragança como a cidade portuguesa que estará a menos tempo de distância de Madrid

Foi ontem que António Costa na sessão pública de apresentação das prioridades do Plano de Recuperação e Resiliência nacional à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, proferiu este anúncio.

Pois eu fiquei perplexo porque se anda a argumentar que aproximar “a capital de distrito mais isolada do país” do centro da península ibérica, passando a distar cerca de meia hora de uma rede de alta velocidade em Puebla de Sanabria, é um reforço da coesão territorial do país.

Quanto muito estaremos a falar de coesão ibérica, pois a coesão nacional faz-se aproximando Bragança do restante território português! Este tipo de populismo bacoco revela ignorância e causa-me a maior das desconfianças quanto à capacidade para levar estes planos adiante.

O melhor que o "projecto futurista" tem para oferecer a Bragança é uma estrada para Espanha que está no papel desde 1986!

Relações no Atlântico Norte

Portugal e os EUA

Os EUA são um país em declínio que tem vindo ao longo destes últimos tempos a mostrar as suas fraquezas. Encontra-se nas bocas do mundo por motivos que até causam vergonha alheia. Não se esperava que o país que supostamente está à frente da democracia no mundo vivesse episódios de tão baixo nível. Já se fala inclusivamente em como é que – se não for reeleito – se irá retirar Trump da Sala Oval caso este não aceite os resultados. Se serão os serviços secretos que o vão arrastar, pondo-o de lá para fora.

Eu acho que devíamos fazer um processo de aprendizagem. O nosso quadro mental já não devia estar tão orientado para os Estados Unidos. Os Estados Unidos estão desinteressados da Europa e nós devíamos retribuir na mesma moeda. Devíamos interessar-nos mais pelas nossas próprias instituições a nível interno e no quadro europeu, enquanto ainda houver União Europeia. É bem mais importante focar-nos em nós, sem, no entanto, retirar totalmente a actualidade a este tema, com a consciência de que as relações no Atlântico Norte já não são o que eram e que o interesse nos EUA só se manterá enquanto ainda forem o baluarte das democracias ocidentais.

As ameaças contra Portugal trazidas pelo embaixador americano, que na sua entrevista de ontem ao jornal Expresso disse claramente que Portugal terá de escolher entre os Estados Unidos ou a China para alianças ou aprofundamentos comerciais, revelam um tom de ameaça pouco próprio de quem se define como aliado, amigo ou parceiro. Não se pode aceitar qualquer exigência vinda do outro lado do Atlântico, porque em Portugal mandam os portugueses, como bem respondeu, e sem demora, o nosso ministro dos negócios estrangeiros, Augusto Santos Silva. Esta preocupação dos Estados Unidos sobre quem desenvolve a tecnologia móvel 5G em Portugal, bem como, qual a empresa escolhida para as obras no porto de Sines, vem mostrar que não seremos assim tão insignificantes no quadro mundial como muitas vezes se julga.

No Outono

Chegou o Outono, e com ele, as tonalidades mais quentes, os sabores mais encorpados e envolventes. É um novo despertar para os sentidos, as sensações mais confortantes, de uma lareira acesa, de um chocolate quente ou um café, de um vinho maduro, os sons da chuva e do vento, das árvores que se agitam e se despem. Pode o Outono ser uma estação de extrema felicidade. De maior elegância nas roupas, nos sabores e nas leituras. Estou ansioso por acender a salamandra, dar aquele calor diferente à casa. Trabalho melhor no Outono. Suportam-se muito melhor as máscaras, que nos ajudam a aquecer o rosto, e a combater o vírus. No Outono quase tudo é bom e sabe bem. No Outono, vou ser feliz.

Um covid ao desleixo

Ouvi um colega meu a argumentar que a origem desta crise, em que o desemprego aumenta, que fecha empresas, que aniquila o turismo, que sobrecarrega os serviços de saúde e que faz dos lares antecâmaras da morte, não é o vírus ou a doença por ele provocada. A culpa “é dos jornalistas que vão foder isto tudo”. Para quem já esteve infectado – ele próprio – revela grande consciência do que se passa. Aliás, a maioria dos meus colegas que já foram infectados revelam tamanha consciência, que permanecem no uso da máscara com o nariz de fora.

No sábado, um telefonema desde um dos maiores centros comerciais de Braga indicava que o número limite de pessoas dentro das lojas não estava a ser respeitado. A maioria dessas pessoas nem sequer lá teria ido para fazer compras, mas como chovia, e como é hábito, quem não está para permanecer em casa sossegado, dirige-se para os centros comerciais.

Há dias, ao passar por um quiosque com esplanada, junto ao Centro de Nanotecnologia de Braga, deparei-me com um amontoado de idosos – eram uns vinte, no mínimo – em que uns andavam de máscara ao queixo e outros nem máscara apresentavam. Enquanto a meteorologia permitiu, também o jardim do centro de Caldas das Taipas era ocupado por idosos que se juntavam – decerto – à procura do “bicho”.

Os homens de meia-idade, tal como os idosos, não estão para aturar as mulheres. Era ver esplanadas cheias e as cervejas à frente. Distanciamento é que não havia, mas pelo menos havia tremoços.

São inúmeras as pessoas que fazem o uso da máscara apenas para poderem frequentar os espaços onde ela é obrigatória. Tal como a estudantada que agora a tem de usar na escola, mas mal saem cá para fora, em ameno convívio, tiram-nas fora.

Eu não gosto de me ver neste lado crítico e de observador do que andam afinal os outros a fazer da sua vida. Nem estes exemplos são a maioria – assim espero. Nem tão pouco me vejo com uma moralidade superior, mas cumpro com o que se exige muito antes de ser obrigatório. Não deixo, no entanto, de suspeitar que pelo menos uma bactéria anda a atacar as cabecinhas de muita gente. É certo que o covid pode não matar a maioria – quem somos nós para pôr a vida de uma minoria em causa; pode até ser maioritariamente assintomática e, como o cigarrinho, dois copitos ou mesmo uma passa, está a acabar por ser socialmente aceite.

Responsabilidades pandémicas

A via sueca, o desfasamento dos horários laborais e o uso de máscara na rua

Ainda estávamos em Maio e o primeiro-ministro António Costa já apelava à responsabilidade individual de cada cidadão sobre o comportamento nas praias. Quando agora o mesmo responsabiliza cada cidadão pelo controlo da doença não está a seguir a via da Suécia, como diz a directora-adjunta do jornal Público, Ana Sá Lopes. O primeiro-ministro está a ser coerente com a linha que já seguia em Maio. Para seguir a via da Suécia, em primeiro lugar, era necessário que fossemos suecos e não portugueses. É que aqui o ponto determinante está no comportamento social dos suecos que em nada tem a ver com o nosso. Se calhar estiveram certos desde início – apesar do número elevado de mortes nos lares. Mas o comportamento sueco é por si só com maior distanciamento social, e nós ainda estamos muito a tempo de atingir os mesmos números alarmantes de mortes em lares, pelo andar da carruagem.

Já a imposição do desfasamento dos horários de trabalho nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, além de uma violação do direito de vida e rotina das pessoas, vem assumir a existência de uma ditadura pandémica. O facto de tal iniciativa estar restrita apenas às referidas regiões, vem revelar descaradamente que a intenção do Governo é desfasar as deslocações para os locais de trabalho, com o intuito de dar cobro à falta de capacidade dos transportes públicos e à falta de planeamento e investimento numa rede capaz nas nossas duas áreas metropolitanas. Querem por isso, tapar o sol com a peneira.

Vai sair uma orientação no sentido de que quando as pessoas no exterior não conseguirem garantir para elas ou para os outros a distância física recomendada, poderão e deverão usar máscara.

Graça Freitas, directora-geral da DGS

Ao ponto que se chegou, que para tudo – até para o mais óbvio – têm de sair “orientações”, “recomendações” e obrigações. O bom senso, a sensatez e o civismo estão em vias de extinção. As pessoas gostam de ser orientadas para tudo – de preferência sem ter de assumir nenhuma responsabilidade – para depois, quando corre mal, poderem sempre atribuir as culpas a terceiros.

Nova aposta na ferrovia

Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica de Portugal 2020-2030

Tinha eu apenas 5 anos quando foi encerrado o troço entre o Pocinho e Barca d'Alva. Ainda assim recordo-me das viagens a Bragança para visitar a minha família materna, que uma vez obrigou à paragem numa passagem de nível da Linha do Douro para que passasse um enorme comboio de mercadorias. A paragem era de tal forma prolongada que as pessoas optavam por desligar os motores dos automóveis, e saindo para fora destes, assistiam à passagem do longo comboio com inúmeros vagões. Apesar do tráfego ferroviário ter sido suspenso na Linha do Tua entre Mirandela e Bragança quando eu tinha 9 anos, não me consigo recordar do comboio em Bragança. Recordo-me sim das minhas primas fumarem às escondidas na plataforma ferroviária dos silos da extinta EPAC – Empresa Pública de Abastecimento de Cereais. Ao se atravessar a linha havia um café que vendia gelados de gelo em forma de stick para se chupar. Era assim que me compravam para não as denunciar. Numa dessas idas aos silos da EPAC decidi saltar para a linha já desactivada e fazer o seu trajecto a pé com o objectivo de ver onde ia dar. Passei por uma ponte metálica típica do que era comum se usar na ferrovia. Por baixo passava um rio de água cristalina visível entre as travessas de madeira. A paisagem era composta de campos agrícolas trabalhados e aldeias em pedra. Os carris já não existem há imensos anos, mas eu ainda andei em cima deles.

Já perdi a conta desde aí, após todas estas décadas passadas, das promessas de reactivações de linhas ferroviárias. O desinvestimento desde o Estado Novo foi gradual e sistemático. No caso de Bragança chegou-se a falar da existência de um lóbi rodoviário. Por isso, é com cepticismo que encaro o desenterrar do interesse pelo comboio por parte do Prof. António Costa e Silva, consultor do Governo para o plano estratégico Portugal 2020-2030. Apesar disso, é com uma esperança contida que lido com a vontade de tornar o comboio no principal meio de transporte do país.

Usar a ferrovia como meio para a recuperação económica do país parece-me uma boa ideia. Mas quando se constrói um caminho-de-ferro, projecta-se a longo prazo, o que por si só exige um amplo consenso na matéria e um comprometimento político alargado já que envolverá futuras legislaturas.

Depois do consenso político é de facto necessário apostar urgentemente na alta velocidade na ligação entre as cidades de Lisboa e do Porto. Em breve os voos com uma distância inferior a 1000 quilómetros serão proibidos na União Europeia por uma questão ambiental. Só o transporte ferroviário será a alternativa para ligar os dois maiores polos urbanos do país.

Para lá da alta velocidade, o plano volta a falar na ligação de todas as capitais de distrito à ferrovia. Este ponto será importantíssimo para reforçar a coesão nacional, no entanto, recorde-se que o argumento usado para o fecho de muitas das linhas foi a fraca afluência de passageiros, pelo que, poderá ser necessário atribuir o estatuto de "serviço público" tal como acontece presentemente com algumas rotas aéreas, nomeadamente entre a ilha da Madeira e a ilha de Porto Santo.

Outra questão prende-se com a bitola (distância entre carris), que em Portugal, já sem a "via estreita", é a bitola ibérica, também amplamente usada em Espanha. No entanto, este assunto é motivo de polémica quando se pretende alcançar a interoperabilidade com a restante Europa, que usa a bitola europeia. Apesar disso, existe tecnologia que permite a adaptação dos bogies (eixos) do material circulante de modo a que este se adapte à via sendo ela de que bitola for. O plano põe de parte a adaptação total das linhas para a bitola europeia com o argumento de que os custos são elevados. Os críticos apontam o dedo à construção das novas linhas com a bitola ibérica pois consideram que deviam já de raiz surgir com a bitola europeia a pensar nos comboios internacionais e na exportação de mercadorias. O Governo defende-se dizendo que as novas linhas já se encontram a ser construídas com travessas de bitola mista de modo a que no futuro apenas seja necessário a deslocação dos carris.

Fiz aqui apenas referência a um dos pontos em que se baseia o plano do Prof. António Costa e Silva. O plano é muito diversificado e serve apenas para a apresentação dos diversos caminhos que o Governo poderá optar para a retoma económica. Isto por si só já indicia o que se poderá esperar. Posto isto, acredito essencialmente no investimento da alta velocidade entre Lisboa e o Porto e na linha internacional com ligação ao porto de Sines. Outras novidades neste campo, já serão um extra.

Nova imagem na informação da TVI

No passado domingo a TVI iniciou uma nova fase ao reformular o grafismo e renovar o estúdio. Esta mudança já estava a ser necessária. O grafismo arredondado nas extremidades caiu em desuso e o modo de apresentação das letras tornou-se cansativo. O novo grafismo trouxe maior simplicidade com a apresentação do texto numa única linha. Esta forma de disposição textual começou com a CMTV, que exagera no tamanho das letras e apresenta frases vagas. A SIC foi atrás, mas reduziu o tamanho da letra, apresentando numa única linha informação mais completa, aproveitando melhor a largura do ecrã, sem que com isso tenha retirado a facilidade e o conforto na leitura. Esta foi de resto uma boa aprendizagem que a TVI também seguiu, melhorando o aspecto gráfico em relação a qualquer outro canal. A RTP ficou muito atrás – como de costume – em que o pior é a permanência da apresentação textual em duas linhas, prejudicando a rapidez da leitura e o conforto.

A renovação do estúdio de informação é outro ponto positivo para a TVI. Ao longo dos anos tem vindo a largar as cores berrantes e culmina com um estúdio que apostou no vidro como elemento principal dando um toque de elegância. A própria redacção apresenta um aspecto mais sóbrio e profissional com elementos luminosos mais relaxantes. As mesas são bem mais bonitas que as da SIC. A eliminação dos videowalls a favor de um ecrã gigante curvo foi uma excelente aposta tornando o estúdio dos principais noticiários visualmente mais apelativo.

Mas, como não há bela sem senão, o ponto negativo tem a ver com a orientação editorial. O uso de um programa informativo para a promoção do entretenimento da estação a mim não me agrada. No domingo foi a entrevista à Cristina Ferreira e a promoção do Big Brother. Na segunda-feira foi a promoção à nova novela.

No entanto, o Pedro Mourinho é uma excelente aquisição. Na SIC, apesar dos anos que já lá levava, as oportunidades tardavam em surgir. Acho que esta transferência foi um ganho significativo para ambas as partes. Está na altura da SIC apostar mais no Bento Rodrigues.

Sem medo

Um vírus que nos quer menos humanos

Após o término das férias, não foi preciso terminar a segunda semana de trabalho para começarem a surgir novamente casos positivos da Covid-19 na empresa. Tudo parecia encaminhado para se repetir aquela época de angústia vivida na primeira vaga, em que nos enlutávamos todos os dias. Mas não é isso que está a acontecer. É certo que os números estão a repetir-se. É certo que surgem novamente casos no meu local de trabalho. Mas há uma coisa que não está igual. É esta ausência de medo, que me faz encarar com normalidade tudo isto.

Nunca passei pelo confinamento na primeira vaga, mantive-me sempre a trabalhar e a fazer uma vida profissional normal, com a devida documentação que me permitia circular sem ser barrado pelas autoridades. Agora, com as ruas mais cheias de gente era suposto o medo de contágio ser ainda maior. Mas não é. Encaro estas circunstâncias como que um atentado terrorista, em que contrariando os objectivos do terrorista damos aquele sinal claro de que o medo não nos assiste e que não tememos continuar com as nossas vidas, com a nossa liberdade.

O medo é um sentimento transitório, não dura para sempre. Mas o que nos faz ser humanos, mais do que ter ou não ter medo, é ter uma grande racionalidade sobre aquilo que nos depara, e por isso, não há medo mas há a racionalidade de cumprir com aquilo que civicamente se impõe: o respeito pelos outros, com o devido distanciamento físico (não social, ao contrário do que muitas vezes se pede, pois são coisas distintas), o uso da máscara – que não faz cair o nariz a ninguém – a etiqueta respiratória e a lavagem frequente das mãos.

Números de Abril

Oito dias antes do surto que surgiu em Vila Verde, quem passasse junto ao Santuário da Nossa Senhora do Alívio podia assistir à inconsciência colectiva de quem se aglomerava junto das roulotes de comes e bebes, sem o distanciamento que se exige e sem máscaras.

Três dias depois entrei num restaurante que fica numa aldeia pertencente a Guimarães. Estava completamente cheio, sem distanciamento entre as mesas pois nem sequer haviam retirado nenhuma de modo a cumprir as normas. Obviamente que optei por retirar-me. Fica numa freguesia onde agora também se fala na existência de um surto.

Portanto, chegámos a números de Abril, sem surpresas, pois infelizmente há muita gente que faz cuidado e que cumpre com a nova etiqueta, mas muitos mais são aqueles que revelam muita irracionalidade e pouco respeito, desacreditando a humanidade.

É também causa da minha vergonha alheia o facto de que após meio ano de pandemia, ainda haja uma imensa quantidade de pessoas que não sabe como usar a máscara, permanecendo com o nariz de fora.

Não quero pois continuar a martelar nos números que vão divulgando. Não me surpreendem! E como continuo a assistir ao ridículo, não tenho como encarar o futuro de maneira diferente. Estamos a revelar a nossa decadência.

Marasmo na televisão nacional

O meio que todos os dias tem vindo a perder seguidores parece não dar importância a esse facto, de outra forma, já haveria um plano de contingência. É revelador do modo como a indústria televisiva encara os consumidores de conteúdos – olha-nos de cima. Esta falta de consciência – se a tiverem, ainda pior – vai agravar o declínio pois nada está a ser feito para reverter a situação. Quando assisto à televisão privada em Portugal sinto-me ofendido. O espectador é tratado como um ignorante esponjoso, pronto a absorver qualquer lixo que se lhe apresente.

A troca de caras entre as duas estações privadas, a guerra dos números e os avultados salários mostram uma indústria com muito pouco respeito e proximidade para com o comum consumidor de conteúdos, nomeadamente numa altura destas. É um outro mundo “superior”, julgam eles. Mas nem todos são alucinados e as alternativas felizmente existem. A televisão ou se adapta, ou insiste na fórmula ultrapassada e amplamente desgastada que levará ao merecido declínio. Os erros repetem-se, pelo que claramente se escolheu insistir na receita do fracasso.

Na oferta nacional salva-se a RTP – nomeadamente a RTP 2 e a RTP 3 – com programação alternativa às tardes deprimentes da televisão privada, com cenários coloridos e conversas cinzentas promotoras da desgraça alheia e aura depressiva; do horário nobre neonoveleiro, promotor da cusquice da vida alheia e do preenchimento artificial de vidas pouco interessantes.

Caso recente, o arranque de Setembro com um exemplo de como o jornalismo desactivou todos os filtros, com a SIC a divulgar no Jornal da Noite uma primeira página manipulada do New York Times como sendo verdadeira. A SIC ultimamente tem sido pródiga neste tipo de erros o que contribuirá cada vez mais para a falta de credibilidade, legitimando a dúvida daquilo que nos apresentam, levando o consumidor a escolher aquilo em que quer acreditar, atirando a informação para o campo da fé.

Os avanços e recuos na estrutura accionista da TVI em nada têm contribuído para o processo da inclusão de dois novos canais privados na TDT. A nova estrutura accionista divulgada ontem com nomes como Tony Carreira, Pedro Abrunhosa e Cristina Ferreira causa-me náuseas. Soma-se a essas caras um empresário do ramo das tintas, outro dos têxteis e um outro do turismo.

A televisão paga está excessivamente virada para a oferta de conteúdos norte-americanos, havendo a meu ver necessidade de se impor limites que contribuam para a protecção do que se produz também na Europa e que apresenta não raras vezes mais qualidade. É preciso equilibrar e promover maior diversidade na oferta e combater a monoculturização.

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