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Último Reduto

O pensamento é o meu refúgio, o último reduto daquilo que sou.

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A comunicação e as novas medidas pandémicas

Quando estive envolvido na estrutura da organização de jogos da Primeira Liga de futebol pude verificar a importância que se dá à gestão e comunicação com as massas. É outro jogo táctico que quem frequenta os estádios não imagina. Fiquei bastante surpreendido, pela positiva, da capacidade da nossa Polícia de Segurança Pública, da inteligência que possuímos nesta matéria.

É por saber do potencial que possuímos que menos compreendo o modo como o nosso Governo se tem dirigido às pessoas. Vivemos tempos inéditos, históricos, mas acima de tudo exigentes. Por isso mesmo, não aceito o modo amador como está a ser feita a comunicação à população, aparentemente sem que se recorra a quem entende como a mesma deve ser feita.

Em cada excepção que se cria, em cada argumento que se dá, a complexidade multiplica-se. Tem de haver clareza e uniformidade. Quando o Governo mostra um mapa em que coloca 70% da população com determinadas medidas e exclui apenas 30% da população, está a criar 100% de confusão. Esta realidade em que se coloca as pessoas a necessitarem de verificar se o seu município se inclui ou não nas medidas complica numa altura em que tudo deve ser simplificado. A exclusão pouco significativa de quem não é abrangido pelas medidas pedia que as regras fossem generalizadas para maior cumprimento, uniformidade e êxito na implementação.

No que toca à medida que impede as pessoas de circularem para fora dos seus municípios, é ridícula, porque os efeitos no combate à disseminação do vírus são pouco significativos. Leva até a situações caricatas, em que alguém de Valença não pode passar para Monção, Vila Nova de Cerveira ou Paredes de Coura, mas já poderá passar a fronteira internacional e dirigir-se para Tui (Espanha).

A fraca comunicação, os frágeis argumentos e as contradições estão a dar aso à desconfiança, descrença e falta de credibilidade do Governo. Contribui ainda mais para a fadiga, para a revolta e para a desobediência. Pior, dá argumentos ao radicalismo.