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Último Reduto

O pensamento é o meu refúgio, o último reduto daquilo que sou.

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A televisão gratuita

É certo que os conteúdos na internet têm ganho importância, mas para a realidade do nosso país, a televisão neste momento tem tanta importância como em tempos a rádio já teve. A companhia, o entretenimento e o acesso à informação é por muitos recebido através da televisão gratuita.

Em Portugal, e muito devido à desajeitada entrada em funcionamento da TDT – Televisão Digital Terrestre, a televisão paga ganhou vigor tornando-se socialmente num básico comparável ao serviço de água ou electricidade. É errado! O serviço básico é mesmo a televisão gratuita, e é esse serviço que deveria ser disseminado e promovido, tanto no seu acesso como também na exigência da qualidade dos conteúdos.

Vergonhosamente todo e qualquer processo para o desenvolvimento e dinamização da TDT resulta em caminhos morosos. Chega até a pairar no ar a existência de alegados interesses em benefício da televisão paga. Isso explica a complicação que tem sido a entrada de novos canais nesta plataforma e os problemas na cobertura da rede de emissores.

A TDT em Portugal entrou em funcionamento com emissões regulares a 29 de Abril de 2009, com os já existentes canais da emissão analógica (4 canais nacionais e 2 canais autonómicos). Na prática nada mudou no que aos conteúdos dizia respeito. Foi preciso esperar até 1 de Dezembro de 2016 para a entrada da RTP3 e da RTP Memória no serviço gratuito da TDT. Não houve grande divulgação (ou interesse) em promover a entrada destes novos canais e como deveriam os consumidores proceder para os poderem receber. Basicamente o que deveria ser feito é o que agora se propõe com a alteração das frequências na TDT: uma nova sintonização nos televisores. O processo é simples, mas quando o realizo em casa de pessoas que apenas recebem os quatro canais generalistas, é com surpresa que se deparam com o aparecimento de novos canais. É por este motivo, e porque muita gente não o sabe, quando se virem obrigados a sintonizar novamente a TDT surgirão os dois “novos” canais da RTP. Julgo que isso notar-se-á até nas medições das audiências. Não deixam de ser mais duas alternativas a quem pouco tem para escolher.

Com a digitalização e compressão do sinal é possível em cada multiplex agregar vários canais. Como os canais na actual oferta não são transmitidos em alta definição, há ainda espaço para mais dois canais privados que inicialmente se determinou que seriam temáticos: um informativo e o outro desportivo. O processo entretanto – como de costume – ficou em banho-maria e neste momento encontra-se parado. Nada que surpreenda…

Não sou apologista de uma oferta muito alargada de canais. Tenho acesso numa das minhas casas à TDT espanhola e, diga-se, a maioria dos canais não acrescenta valor. Pelo que, no caso português, sou apologista que no mínimo se potencie toda a capacidade do multiplex gratuito de forma a não só reduzir os custos da operação, como também por outro lado, favorecer o aumento da diversidade de conteúdos.