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Último Reduto

O pensamento é o meu refúgio, o último reduto daquilo que sou.

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Birra à portuguesa, desta vez com os galegos

A Galiza começou a fazer um pedido aos portugueses, um registo que deverá ser feito dentro das primeiras 24 horas após entrada no território autónomo. Esse registo deverá ser feito telefonicamente ou através do preenchimento de um formulário no site do SERGAS (Serviço Galego de Saúde).

Os portugueses (ou será antes a comunicação social?) entraram novamente num papel ridiculamente repetido: o da vitimização. Fiquei surpreendido até com as declarações do autarca de Valença, uma vez que a sua condição de raiano deveria dar-lhe outra sensibilidade e outro conhecimento neste processo. Por outro lado, já não me surpreendeu o título usado na CMTV, que indica a nossa entrada na “lista negra” da Galiza.

Uma vez que os portugueses são por hábito grandes visitantes da Galiza, o que os galegos simplesmente nos vêm pedir é um registo, para o caso de ocorrer algum surto ou nos vermos envolvidos numa cadeia de contacto e transmissão de Covid, poderem nos contactar de forma mais célere. É que para todos os efeitos, uma vez entrados na Galiza, o sistema de saúde galego não tem qualquer informação a nosso respeito.

Isto em vez de causar incredulidade devia antes levantar a questão sobre a possibilidade do nosso Serviço Nacional de Saúde e o SERGAS poderem interagir de forma mais próxima, quem sabe, partilhando recursos nas zonas raianas, tornando o sistema mais eficiente e reduzindo custos, nomeadamente com a criação de dois polos (em Valença/Tui e em Chaves/Verín), partilhando especialidades nos dois lados da fronteira. Isto sim seria um passo à frente, muito mais à frente do que a própria integração europeia que nunca se debateu com a ideia de partilha e interacção entre os diferentes sistemas de saúde, apesar da criação do Cartão Europeu de Saúde, que se resume a uma identificação para encaminhar a cobrança de serviços de saúde prestados.

O facto de partilharmos informações com o SERGAS funciona não só em defesa dos galegos como também em nosso próprio benefício. Eu, se me encontrar envolvido num surto ou numa cadeia de transmissão de Covid, tenho todo o interesse em ser informado e devidamente orientado. Mas nós, muito gostamos do triste fado, do papel de oprimidos, deste complexo de inferioridade. Ninguém nos barrou a entrada, ninguém nos impôs quarentena.