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Último Reduto

O pensamento é o meu refúgio, o último reduto daquilo que sou.

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O pensamento é o meu refúgio, o último reduto daquilo que sou.

Depressão pós-férias

Quando vinha na auto-estrada apoderou-se em mim aquele sentimento de quem vai para a forca. Aqueles dias maravilhosos em meio rural estavam a ficar para trás. Estas férias ficarão marcadas por aquelas caminhadas sem destino – mesmo dentro da aldeia – em que aleatoriamente se colhe uma amora silvestre sem compromissos nenhuns com o tempo, com o fazer, com a consequência. Acho que nunca me irei cansar deste ambiente campestre, nem mesmo com o ar gélido que ocupará em breve as montanhas.

A véspera da partida para o pica-boi estava a criar uma aura negativista. Já me tinha inteirado de que iria haver música à noite na vila de Paredes de Coura. Sem o festival de todos os anos, o município optou por convidar durante os fins-de-semana de Agosto bandas itinerantes para darem música à noite courense. Não tinha sentido o chamamento nem a necessidade até então, mas querendo ajudar o cérebro a conformar-se com o regresso ao trabalho, a despedida destes dias pediam algo diferente.

Eram as 21 horas e a temperatura mais parecia de Outono. Sem olhar para trás sigo para a rua de t-shirt e calções. Hei-de ficar rijo, e se o frio vier, terei de dançar até aquecer – disse. A estrada apesar de ter bom piso, é a estrada própria de montanha, com imensas curvas, bastante apertadas e em forma de cotovelo. Não estava a 100%, mas contava que o fresco da noite me despertasse para outra dimensão.

À chegada dei com os músicos a afinar os instrumentos. Parei mesmo ali com a intenção de fazer o trajecto a pé com eles pelas ruas do centro da vila. Começaram mais cedo e em grande agitação. A música fazia bater o pé e lançava alegria contagiante. Eu só tinha de me deixar levar e seguir ao ritmo dos KhaganiçOrchestra. A partir daí, caguei mesmo nisso, e esqueci que no dia a seguir iria estar a trabalhar. Já no trabalho, a meio do dia, lá me passou a neura de ter regressado à rotina. Acho que a música ajudou, muito!