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Último Reduto

O pensamento é o meu refúgio, o último reduto daquilo que sou.

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Marasmo na televisão nacional

O meio que todos os dias tem vindo a perder seguidores parece não dar importância a esse facto, de outra forma, já haveria um plano de contingência. É revelador do modo como a indústria televisiva encara os consumidores de conteúdos – olha-nos de cima. Esta falta de consciência – se a tiverem, ainda pior – vai agravar o declínio pois nada está a ser feito para reverter a situação. Quando assisto à televisão privada em Portugal sinto-me ofendido. O espectador é tratado como um ignorante esponjoso, pronto a absorver qualquer lixo que se lhe apresente.

A troca de caras entre as duas estações privadas, a guerra dos números e os avultados salários mostram uma indústria com muito pouco respeito e proximidade para com o comum consumidor de conteúdos, nomeadamente numa altura destas. É um outro mundo “superior”, julgam eles. Mas nem todos são alucinados e as alternativas felizmente existem. A televisão ou se adapta, ou insiste na fórmula ultrapassada e amplamente desgastada que levará ao merecido declínio. Os erros repetem-se, pelo que claramente se escolheu insistir na receita do fracasso.

Na oferta nacional salva-se a RTP – nomeadamente a RTP 2 e a RTP 3 – com programação alternativa às tardes deprimentes da televisão privada, com cenários coloridos e conversas cinzentas promotoras da desgraça alheia e aura depressiva; do horário nobre neonoveleiro, promotor da cusquice da vida alheia e do preenchimento artificial de vidas pouco interessantes.

Caso recente, o arranque de Setembro com um exemplo de como o jornalismo desactivou todos os filtros, com a SIC a divulgar no Jornal da Noite uma primeira página manipulada do New York Times como sendo verdadeira. A SIC ultimamente tem sido pródiga neste tipo de erros o que contribuirá cada vez mais para a falta de credibilidade, legitimando a dúvida daquilo que nos apresentam, levando o consumidor a escolher aquilo em que quer acreditar, atirando a informação para o campo da fé.

Os avanços e recuos na estrutura accionista da TVI em nada têm contribuído para o processo da inclusão de dois novos canais privados na TDT. A nova estrutura accionista divulgada ontem com nomes como Tony Carreira, Pedro Abrunhosa e Cristina Ferreira causa-me náuseas. Soma-se a essas caras um empresário do ramo das tintas, outro dos têxteis e um outro do turismo.

A televisão paga está excessivamente virada para a oferta de conteúdos norte-americanos, havendo a meu ver necessidade de se impor limites que contribuam para a protecção do que se produz também na Europa e que apresenta não raras vezes mais qualidade. É preciso equilibrar e promover maior diversidade na oferta e combater a monoculturização.