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Último Reduto

O pensamento é o meu refúgio, o último reduto daquilo que sou.

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O pensamento é o meu refúgio, o último reduto daquilo que sou.

Miasma pestilencial

Foi entre os anos de 1347 e 1351 que a Peste Negra atingiu o seu pico na Europa. No entanto, só após três séculos é que alguns médicos começaram a surgir com máscara e fatos de protecção. O equipamento era feito inteiramente em couro de cabra marroquino e incluía calças, casaco longo, chapéu, luvas e uma máscara que cobria todo o rosto semelhante a um corvo. A máscara possuía oculares de cristal e um longo bico com perfume ou ervas aromáticas para impedir a inalação de ar contaminado vindo do paciente. É aqui que o paradigma do contágio se altera. Do simples contágio aleatório pelo ar, passa-se a focar a origem da transmissão a partir dos pacientes. Este reconhecimento da origem de uma cadeia de transmissão foi determinante numa época em que os cuidados de saúde eram miseráveis.

Há mais de cem anos atrás, surgiu a Pneumónica. Nessa altura, com a sobrelotação dos hospitais desencadearam-se superinfecções bacterianas. O veículo para a propagação terá sido o movimento de tropas durante a Primeira Guerra Mundial. A segunda onda foi maior e consequentemente a mais mortífera. Surgiram as primeiras cercas sanitárias e o uso da máscara em tecido começou a ser mais generalizada e vulgarizada.

A humanidade já assistiu a este filme. As medidas que têm sido tomadas pelos governantes não têm sido de modo algum eficazes. São para mim meros paliativos. Eu acredito que esta falta de resultados tem muito mais a ver com o uso de métodos arcaicos, como os confinamentos ou as cercas sanitárias, que deviam estar já completamente ultrapassados. Métodos que economicamente não são passiveis de adaptação e por isso, nesta pandemia – tal como nas anteriores – assistiremos a convulsões sociais e a catástrofes económicas. Procurámos desenvolver a economia sem a proteger. Foi preciso surgir uma nova pandemia em larga escala para irmos à história encontrar crises equiparáveis.

Quando surge um vírus que nos demonstra que afinal continuamos à mercê e que sempre estaremos caímos na realidade, que afinal continuamos frágeis como sempre estivemos, que esquecemos que sempre existirão vírus, novas doenças, que a nossa única protecção será o desenvolvimento cientifico e medicinal, que a estabilidade e a "vida normal" dependerá tão só do engenho humano em criar uma inovação que nos tire de onde nos encontramos e que acabe com este miasma pestilencial, até que venha o próximo.