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Último Reduto

O pensamento é o meu refúgio, o último reduto daquilo que sou.

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Nos Picos da Europa

Com Ferrol a ficar para trás, a paisagem começa a mudar ao sairmos da Galiza. A entrada nas Astúrias faz-se com uma queda abrupta de 10 graus centígrados, com paisagem verdejante e montanhosa, com pastagens e vacas felizes. As Astúrias fazem-me recordar os nossos Açores, nomeadamente a ilha de São Miguel, com a sua importante exploração nos lacticínios bem como com a nebulosidade baixa e frequentes precipitações.

Comemos quilómetros sem parar com o objectivo de chegarmos a tempo do almoço. Passámos Oviedo e Gijón em direcção ao extremo leste asturiano. Pouco depois da saída da auto-estrada, resolvemos parar em Unquera e Mollena para esticar as pernas. O ambiente apesar de bonito é demasiado comercial para nós. Muitas lojas de recuerdos e restaurantes. Não faz o nosso género esta concentração turística pelo que resolvemos arriscar comer alguma coisa no destino. Em todo este trajecto somos acompanhados pelo Rio Deva até à nossa chegada a Panes, uma pequena localidade com menos de 600 habitantes a 156 quilómetros de Oviedo, a capital do Principado das Astúrias.

Vista do quarto do hotel

As nossas espectativas quanto ao que aí vinha eram baixas, mas mal entrámos no hotel o nosso sentimento mudou completamente. Com o check-in feito, verifico que fiquei com o melhor quarto do hotel, com dimensões generosas e com uma agradável vista para o Rio Deva bem como para o jardim do hotel. Somos informados que podemos almoçar no restaurante do hotel, e, finalmente, quem diria, aqui no meio das montanhas mas ainda perto do mar, encontrámos os chocos e o marisco que procurámos na Corunha e a preços mais convidativos! Tirámos a barriga de misérias e pela primeira vez temos alguém que por sua própria iniciativa tenta falar português connosco. Fomos tão bem tratados que decidimos realizar todas as refeições no hotel.

Como não ficámos muitos dias, o tempo foi aproveitado o melhor possível, a acompanhar a estrada com o Rio Deva sempre ao lado, por entre desfiladeiros e até localidades remotas e pitorescas totalmente off-the-grid. A paisagem parece alpina, o sossego e a pouca afluência turística agradou-me dando aos locais uma maior autenticidade. Resolvemos regressar cedo ao hotel para um bom banho, um período de descanso e preparação para o jantar. Após o jantar demos uma volta a pé por Panes e usufruímos da sua área recreativa com bastantes informações acerca da fauna e flora existente.

Localidade remota nos Picos da Europa

O pequeno-almoço foi satisfatório, dando-nos a energia necessária para nos fazermos à estrada, ultrapassando novamente o Desfiladeiro de La Hermida até Potes onde virámos à direita. Essa estrada é sem saída e far-nos-ia passar pelo Mosteiro de Santo Toribio de Liébana. O nosso destino no entanto foi Fuente Dé, nascente do Rio Deva, com um teleférico paisagístico incrível. O movimento aqui é grande, com parques cheios de automóveis e autocarros de turismo. Tirámos o dia para visitar outras localidades remotas e tomar estradas que não vêm no mapa à procura do desconhecido.

Depois de uma bela noite de sono e um agradável pequeno-almoço realizámos o nosso check-out. Decidimos regressar a Portugal por um trajecto diferente pelo que saímos pelo sul apreciando a paisagem de montanha de Castela e Leão. A nossa intenção foi parar em Riaño para almoçarmos e descansarmos um pouco. Não estávamos à espera de mais uma surpresa paisagística.

Paisagem de Riaño

Este reservatório de água de Riaño é embelezado com reflexos montanhosos na sua superfície de 2230 ha e pertence à bacia hidrográfica do Douro. O almoço, como seria de esperar, não nos entusiasmou. Gostei muito de fazer a estrada desde Riaño até aos arredores da cidade de Leão sempre acompanhados pelo Rio Esla, um dos afluentes do Rio Douro. A paisagem é árida com segmentos de plantações florestais numa tentativa de contrariar a desertificação. É nos arredores da cidade de Leão que entramos na auto-estrada e quando me apercebo que nos estamos a aproximar de Puebla de Sanabria não perco tempo em sugerir a nossa saída para a localidade já com intenções de jantar em Bragança. Depois de uma volta a pé e de mais alguns recuerdos, fiz questão de visitar a estação ferroviária de Puebla de Sanabria. É aqui que o comboio de alta velocidade espanhol vai ter paragem, servindo inclusivamente a população de Bragança, que ficará mais próxima de Madrid do que de Lisboa.

Com a nossa entrada em território nacional e com o relógio a andar, apressamo-nos até Gimonde onde comemos um belo repasto à portuguesa! Que saudades da nossa terra e da nossa portugalidade!