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Último Reduto

O pensamento é o meu refúgio, o último reduto daquilo que sou.

Último Reduto

O pensamento é o meu refúgio, o último reduto daquilo que sou.

Novas experiências, as do isolamento na montanha

Ter uma casa isolada leva-nos a novas experiências a que nem todos estão abertos. O contacto com a natureza é muito mais intenso e lembra-nos o quão pequenos somos na imensidão do céu até à terra.

As viagens mais nocturnas trazem um contacto mais próximo a raposas e javalis que atravessam a estrada e me obrigam diversas vezes a imobilizar o carro. Ainda bem que me dão esse privilégio!

A noite é completamente diferente da que habitualmente se vive nos meios mais povoados. Só a luz lunar nos ilumina na escuridão que nos amedronta, mas que com o tempo nos habitua a uma nova normalidade. Parece que a luz é insuficiente, mas depois, e quanto mais cheia estiver a lua, melhor se vêem as sombras das árvores, das giestas e dos muros em pedra. A escuridão apura-nos os sentidos, a olhar para as estrelas e a ver a imensidão da nossa pequenez. Quando o vento uiva, ou quando barulhos nas vedações denunciam aqueles que uivam, deitado na cama, dou pelos lobos que se aproveitam das trevas bem como do barulho das folhas das árvores que deslizam pelo chão.

Há coisa de duas semanas, inesperadamente, fiquei sem electricidade poucos minutos após a minha chegada. Esse facto levou-me a puxar por uma cadeira e a sentar-me no pátio a olhar para as estrelas. O céu livre da poluição luminosa das cidades é outra coisa. Nessa observação estrelar e contemplação espacial surgiu-me o cometa Neowise pouco acima da orografia montanhosa. A natureza tem destas coisas, presenteia de forma inesperada quem a observa.