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Último Reduto

O pensamento é o meu refúgio, o último reduto daquilo que sou.

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O TGV de Ponte de Lima

Troço ferroviário Porto-Vigo no Plano Nacional de Investimentos (PNI) 2030

A moda da construção massiva de polidesportivos em inúmeras freguesias é exemplo do mau uso dado aos fundos comunitários. A par disso soma-se as rotundas, auto-estradas paralelas, parques industriais, entre outros possíveis exemplos de iniciativas bacocas e desnecessárias que agora se encontram ao abandono.

Quando se fala em comboio de alta velocidade o bacoquismo está no interesse da localização das suas paragens dando lugar ao ridículo. Um comboio de alta velocidade tem de ter o menor número de paragens possível limitando-se às localizações de maior fluxo de passageiros. Se idealizamos um comboio de alta velocidade com um excessivo número de paragens, diminuímos o seu potencial de encurtamento de tempo entre as cidades.

No debate do comboio de alta velocidade vem à baila o ponto anterior, em que quase se pede uma paragem em cada concelho. O traçado anunciado no Plano Nacional de Investimentos (PNI) 2030 entre Porto e Vigo não podia ficar de fora do chamamento de ideias parolas de quem não entende a dimensão e o fim do projecto.

Em 2009 o presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima – Victor Mendes – garantia que ia combater os dois traçados previstos para a passagem do comboio no seu concelho. Alegava serem “muito maus” ao nível ambiental e social. Acredito que tivesse a sua posição bem fundamentada porque de facto existem diversos constrangimentos e restrições que se impõem. (fonte)

Onze anos depois Victor Mendes esqueceu as questões ambientais e sociais e vem agora defender uma “paragem técnica” em Ponte de Lima. (fonte)

No fundo seria uma paragem para manutenções, permitindo também que passageiros, em algumas situações de carácter excepcional, pudessem parar (…) o traçado é muito idêntico àquele que foi definido para o TGV há cerca de uma década e é essa a posição que vamos defender quando formos confrontados com esse investimento.

Cá está, uma paragem ridícula para “manutenções” com movimento excepcional de passageiros a troco da aceitação de um traçado ferroviário. A cerca de meia-hora do Porto, o senhor presidente está à espera de “manutenções” em Ponte de Lima e a construção de um apeadeiro para movimento de passageiros esporádicos. Vê-se tanta lucidez neste discurso que até me cega a consciência.

No troço Porto-Vigo apenas se justifica paragem em Braga e eventualmente em Valença. Colocar Ponte de Lima na equação é transformar o comboio de alta velocidade num comboio a vapor.