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Último Reduto

O pensamento é o meu refúgio, o último reduto daquilo que sou.

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Os idosos são apenas o lado visível da pandemia

As notícias de surtos de Covid-19 nos lares têm estado na ordem do dia. Porquê? Provavelmente porque os sintomas da doença dão-se de forma mais exponencial na população idosa, e como surgem os sintomas, tornam-se o lado visível da disseminação. Há lares em que nenhum idoso apresenta sintomas, no entanto o surto é detectado. Isso deve-se ao facto da população idosa estar muito dependente dos hospitais, seja por quedas, doenças crónicas ou intervenções cirúrgicas. Não apresentando sintomas mas necessitando dos serviços hospitalares, são necessariamente submetidos ao teste, e o que anteriormente seria uma disseminação silenciosa, torna-se novamente visível.

A doença não está a atingir apenas os idosos. Os idosos institucionalizados, devido ao seu confinamento em lares, convívio dentro da instituição e maior necessidade de assistência hospitalar, tornam-se o semáforo pandémico resultado dessas circunstâncias.

Do mesmo modo, as crianças e jovens confinados diariamente em recintos escolares e o convívio entre eles, originarão novos surtos, aumentarão a disseminação do vírus, mas não serão o factor de maior visibilidade numa primeira fase porque se tratam de uma fatia da população que tem menor probabilidade de desenvolver sintomas e não está dependente de grandes cuidados médicos, não estando por isso sujeitos à testagem em ambiente hospitalar o que tornaria tudo mais visível. A abertura do novo ano escolar tornará, no entanto, tudo ainda mais visível, não numa primeira fase, mas sim numa segunda em que os estudantes serão mais um impulso à disseminação, através do contacto com familiares e amigos mais susceptíveis a desenvolverem sintomas. E quando surgirem essas pessoas com sintomas, verificar-se-á que na origem das cadeias de transmissão está uma população muito mais jovem, o lado invisível da disseminação do vírus.