Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Último Reduto

O pensamento é o meu refúgio, o último reduto daquilo que sou.

Último Reduto

O pensamento é o meu refúgio, o último reduto daquilo que sou.

Quando organizo viagens

Sempre que o assunto se prende com a realização de uma viagem, a pessoa a quem amigos e familiares encubem de realizar o programa, o guia e o roteiro de toda a jornada, sou eu. Isso dá-me trabalho, também satisfação porque viajar é das coisas que mais gosto de fazer, mas acima de tudo, dá-me uma enorme liberdade de fazer as coisas ao meu gosto. Nunca me saí mal. Mas também, cria em mim um sentido crítico quando sou conduzido pela organização dos outros, em que penso no que faria de diferente.

Na elaboração deste processo tenho sempre em atenção o tipo de pessoas que irão viajar comigo. É preciso olhar para as idades e para a capacidade física dos viajantes. O meu planeamento é feito de forma muito disciplinada. Há horários para tudo e obrigo ao cumprimento desses horários para que o programa atinja todas as suas metas e não fique nada por realizar. Aqui, está um dos pontos mais complicados no planeamento. A elaboração de horários obriga-me a calcular e a estudar distâncias entre os locais de visita e dificuldades que possam surgir. A minha precisão vai ao ponto do local mais apropriado para estacionar o carro. Cumprindo tudo com disciplina, é só chegar aos locais e realizar tudo de forma mais despreocupada, com toda a informação já disponível num roteiro que faço questão de imprimir e manter connosco durante a jornada. Não se perde tempo a procurar nada. Até mapas elaboro…

Quando programei uma viagem aos Açores surgiu a hipótese de se visitar a ilha de São Miguel mais a fundo, ou, fazer tudo a correr e ainda dar o salto para uma segunda ilha. Apesar do meu planeamento incluir horários, eu elaboro-os de modo a que não andemos a correr. Mas também sei, que se em Novembro coloco o meu grupo dentro de uma poça de água quente logo no primeiro dia, arruinaria todo o roteiro programado por mim, pois não iriam querer outra coisa, mesmo sem saberem o que haveria para lá disso. Então é preciso jogar até com estas coisas. Como seria de esperar, não quiseram outra coisa todo o dia, ao ponto de anoitecer e nós ainda dentro daquelas caldas aquecidas pela natureza. Se não colocasse esta actividade para o último dia, saberia que iriam pedir para realizar um segundo dia e perder-se-ia a visita a pelo menos metade da ilha.

No compromisso de elaborar um programa de viagem torno-me o líder de um grupo. Isso implica que seja também eu a tratar de todas as passagens aéreas, bilhetes para entrada em monumentos e espectáculos, mas não só. Quando fui com um grupo diferente ao norte de Itália não tive de me preocupar com nada. Não fui eu que planeei, pelo que só tinha de me deixar ir ao sabor do vento. Nessa viagem achei que perdemos tempo demais em Milão, tempo a menos em Verona, e ausência completa de tempo em Veneza. A ida aos lagos do norte foi uma boa iniciativa, mas com grande desorganização. Regressei com aquela sensação de que se perdeu uma oportunidade de ver mais. No entanto, puxei esta minha viagem para vos dar conta de um contratempo que não pode acontecer. Quando em Verona regressámos ao carro ninguém sabia do talão para pagar o estacionamento. Foi embaraçoso e obrigou ao grupo andar a vasculhar tudo. Vimo-nos obrigados a pagar a taxa máxima para poder sair com o carro. A pessoa que organiza é a mesma que tem de tomar sentido nestas coisas e guardar tudo o que determine o acesso a locais, sejam bilhetes culturais ou talões de parques de estacionamento. Não é a mesma coisa, quando não és tu a organizar – disseram-me à chegada a Portugal.