Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Último Reduto

O pensamento é o meu refúgio, o último reduto daquilo que sou.

Último Reduto

O pensamento é o meu refúgio, o último reduto daquilo que sou.

Relações no Atlântico Norte

Portugal e os EUA

Os EUA são um país em declínio que tem vindo ao longo destes últimos tempos a mostrar as suas fraquezas. Encontra-se nas bocas do mundo por motivos que até causam vergonha alheia. Não se esperava que o país que supostamente está à frente da democracia no mundo vivesse episódios de tão baixo nível. Já se fala inclusivamente em como é que – se não for reeleito – se irá retirar Trump da Sala Oval caso este não aceite os resultados. Se serão os serviços secretos que o vão arrastar, pondo-o de lá para fora.

Eu acho que devíamos fazer um processo de aprendizagem. O nosso quadro mental já não devia estar tão orientado para os Estados Unidos. Os Estados Unidos estão desinteressados da Europa e nós devíamos retribuir na mesma moeda. Devíamos interessar-nos mais pelas nossas próprias instituições a nível interno e no quadro europeu, enquanto ainda houver União Europeia. É bem mais importante focar-nos em nós, sem, no entanto, retirar totalmente a actualidade a este tema, com a consciência de que as relações no Atlântico Norte já não são o que eram e que o interesse nos EUA só se manterá enquanto ainda forem o baluarte das democracias ocidentais.

As ameaças contra Portugal trazidas pelo embaixador americano, que na sua entrevista de ontem ao jornal Expresso disse claramente que Portugal terá de escolher entre os Estados Unidos ou a China para alianças ou aprofundamentos comerciais, revelam um tom de ameaça pouco próprio de quem se define como aliado, amigo ou parceiro. Não se pode aceitar qualquer exigência vinda do outro lado do Atlântico, porque em Portugal mandam os portugueses, como bem respondeu, e sem demora, o nosso ministro dos negócios estrangeiros, Augusto Santos Silva. Esta preocupação dos Estados Unidos sobre quem desenvolve a tecnologia móvel 5G em Portugal, bem como, qual a empresa escolhida para as obras no porto de Sines, vem mostrar que não seremos assim tão insignificantes no quadro mundial como muitas vezes se julga.