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Último Reduto

O pensamento é o meu refúgio, o último reduto daquilo que sou.

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Responsabilidades pandémicas

A via sueca, o desfasamento dos horários laborais e o uso de máscara na rua

Ainda estávamos em Maio e o primeiro-ministro António Costa já apelava à responsabilidade individual de cada cidadão sobre o comportamento nas praias. Quando agora o mesmo responsabiliza cada cidadão pelo controlo da doença não está a seguir a via da Suécia, como diz a directora-adjunta do jornal Público, Ana Sá Lopes. O primeiro-ministro está a ser coerente com a linha que já seguia em Maio. Para seguir a via da Suécia, em primeiro lugar, era necessário que fossemos suecos e não portugueses. É que aqui o ponto determinante está no comportamento social dos suecos que em nada tem a ver com o nosso. Se calhar estiveram certos desde início – apesar do número elevado de mortes nos lares. Mas o comportamento sueco é por si só com maior distanciamento social, e nós ainda estamos muito a tempo de atingir os mesmos números alarmantes de mortes em lares, pelo andar da carruagem.

Já a imposição do desfasamento dos horários de trabalho nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, além de uma violação do direito de vida e rotina das pessoas, vem assumir a existência de uma ditadura pandémica. O facto de tal iniciativa estar restrita apenas às referidas regiões, vem revelar descaradamente que a intenção do Governo é desfasar as deslocações para os locais de trabalho, com o intuito de dar cobro à falta de capacidade dos transportes públicos e à falta de planeamento e investimento numa rede capaz nas nossas duas áreas metropolitanas. Querem por isso, tapar o sol com a peneira.

Vai sair uma orientação no sentido de que quando as pessoas no exterior não conseguirem garantir para elas ou para os outros a distância física recomendada, poderão e deverão usar máscara.

Graça Freitas, directora-geral da DGS

Ao ponto que se chegou, que para tudo – até para o mais óbvio – têm de sair “orientações”, “recomendações” e obrigações. O bom senso, a sensatez e o civismo estão em vias de extinção. As pessoas gostam de ser orientadas para tudo – de preferência sem ter de assumir nenhuma responsabilidade – para depois, quando corre mal, poderem sempre atribuir as culpas a terceiros.