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Último Reduto

O pensamento é o meu refúgio, o último reduto daquilo que sou.

Último Reduto

O pensamento é o meu refúgio, o último reduto daquilo que sou.

Sem medo

Um vírus que nos quer menos humanos

Após o término das férias, não foi preciso terminar a segunda semana de trabalho para começarem a surgir novamente casos positivos da Covid-19 na empresa. Tudo parecia encaminhado para se repetir aquela época de angústia vivida na primeira vaga, em que nos enlutávamos todos os dias. Mas não é isso que está a acontecer. É certo que os números estão a repetir-se. É certo que surgem novamente casos no meu local de trabalho. Mas há uma coisa que não está igual. É esta ausência de medo, que me faz encarar com normalidade tudo isto.

Nunca passei pelo confinamento na primeira vaga, mantive-me sempre a trabalhar e a fazer uma vida profissional normal, com a devida documentação que me permitia circular sem ser barrado pelas autoridades. Agora, com as ruas mais cheias de gente era suposto o medo de contágio ser ainda maior. Mas não é. Encaro estas circunstâncias como que um atentado terrorista, em que contrariando os objectivos do terrorista damos aquele sinal claro de que o medo não nos assiste e que não tememos continuar com as nossas vidas, com a nossa liberdade.

O medo é um sentimento transitório, não dura para sempre. Mas o que nos faz ser humanos, mais do que ter ou não ter medo, é ter uma grande racionalidade sobre aquilo que nos depara, e por isso, não há medo mas há a racionalidade de cumprir com aquilo que civicamente se impõe: o respeito pelos outros, com o devido distanciamento físico (não social, ao contrário do que muitas vezes se pede, pois são coisas distintas), o uso da máscara – que não faz cair o nariz a ninguém – a etiqueta respiratória e a lavagem frequente das mãos.