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Último Reduto

O pensamento é o meu refúgio, o último reduto daquilo que sou.

Último Reduto

O pensamento é o meu refúgio, o último reduto daquilo que sou.

Dos almoços mais importantes

O acordar foi com a tranquilidade que se exigia todos os dias. A ida à varanda revela ainda a geada nos campos e a bruma que ainda não desapareceu do circuito do rio. Somos uns privilegiados! Podíamos deixar-nos estar "na nossa". Mas, também sentimos o dever e o respeito por aqueles que nos tratam e servem bem sempre que visitamos a sua casa. O almoço de hoje é mais importante que nos outros dias. O almoço de hoje contribui para que uma porta continue aberta, para empregos, e - não menos importante - para nosso prazer. Hoje, almoçar cedo, é mais do que um cuidado ou uma delicadeza. É respeito pelo trabalho daqueles que sempre nos receberam bem e nos serviram melhor ainda. É uma responsabilidade social dos privilegiados que ainda podem pagar uma refeição num restaurante, aliviando a corda no pescoço daqueles que profissionalmente se dedicam a cada refeição que fazemos fora. Podíamos encomendar e comer em casa. Mas ao meio-dia contribuir para o movimento de um restaurante, ajudará muito mais psicologicamente aquelas pessoas a enfrentarem esta intempérie. A estarem ali para nós e nós para eles.

Heranças pandémicas em ambiente hospitalar

Decorria o ano de 2009 quando surgiu a pandemia da gripe A, altura em que eu me encontrava a trabalhar num hospital e onde pude constatar toda a adaptação que foi necessária, desde a informação ao público sobre a etiqueta respiratória até à multiplicação dos dispensadores com desinfectante para as mãos. Nessa altura esse foi o foco com grandes campanhas de informação para sensibilizar a população. O uso de máscara estava apenas aconselhado a doentes, e talvez tenha sido essa a experiência que influenciou as políticas da Organização Mundial de Saúde e da nossa Direcção-Geral da Saúde ao não aconselharem inicialmente o uso massivo da máscara na pandemia que agora decorre. Por aquela altura, o uso da máscara foi no entanto vulgarizado pelo menos no México, onde se julga terem ocorrido os primeiros casos.

Também nessa época alertava-se para o aparecimento anormal de pneumonias, e com isso desenvolveu-se uma técnica que se designa de ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorporal), tratamento para doentes críticos com falência cardíaca ou pulmonar potencialmente reversível, quando todas as outras medidas de suporte orgânico artificial falharam. Em Portugal foi feito um grande investimento nesta técnica de suporte vital extracorporal, existindo três hospitais equipados para tal, dois em Lisboa e um no Porto. É no entanto, uma técnica de tratamento complexa, de alto risco e com custos elevados, que exige uma equipa multidisciplinar e multiprofissional diferenciada com capacidade de resposta imediata 24/7.

Com isto, em plena pandemia da covid-19, podemos dizer que a etiqueta respiratória e a desinfecção das mãos são ensinamentos com que estas gerações já se depararam há onze anos atrás a uma escala mais reduzida. Ao nível hospitalar, as três unidades de ECMO são uma herança desse tempo que se revelam agora muito úteis também para esta pandemia.

O balanço que aqui faço foi inspirado numa nova técnica que hoje se encontra a ser desenvolvida no Porto e que tem grande aplicação em Itália com resultados bastante positivos. Tratam-se dos "capacetes respiratórios". O que me agrada mais nesta técnica é o facto de não ser invasiva. O dispositivo fornece oxigénio em altas concentrações e evita que muitos doentes tenham de ser intubados. E esta pode bem ser a herança que a covid-19 deixará nos nossos hospitais para futuros tratamentos, tal como a ECMO, que entrou em Portugal durante a pandemia da gripe A.

Miasma pestilencial

Foi entre os anos de 1347 e 1351 que a Peste Negra atingiu o seu pico na Europa. No entanto, só após três séculos é que alguns médicos começaram a surgir com máscara e fatos de protecção. O equipamento era feito inteiramente em couro de cabra marroquino e incluía calças, casaco longo, chapéu, luvas e uma máscara que cobria todo o rosto semelhante a um corvo. A máscara possuía oculares de cristal e um longo bico com perfume ou ervas aromáticas para impedir a inalação de ar contaminado vindo do paciente. É aqui que o paradigma do contágio se altera. Do simples contágio aleatório pelo ar, passa-se a focar a origem da transmissão a partir dos pacientes. Este reconhecimento da origem de uma cadeia de transmissão foi determinante numa época em que os cuidados de saúde eram miseráveis.

Há mais de cem anos atrás, surgiu a Pneumónica. Nessa altura, com a sobrelotação dos hospitais desencadearam-se superinfecções bacterianas. O veículo para a propagação terá sido o movimento de tropas durante a Primeira Guerra Mundial. A segunda onda foi maior e consequentemente a mais mortífera. Surgiram as primeiras cercas sanitárias e o uso da máscara em tecido começou a ser mais generalizada e vulgarizada.

A humanidade já assistiu a este filme. As medidas que têm sido tomadas pelos governantes não têm sido de modo algum eficazes. São para mim meros paliativos. Eu acredito que esta falta de resultados tem muito mais a ver com o uso de métodos arcaicos, como os confinamentos ou as cercas sanitárias, que deviam estar já completamente ultrapassados. Métodos que economicamente não são passiveis de adaptação e por isso, nesta pandemia – tal como nas anteriores – assistiremos a convulsões sociais e a catástrofes económicas. Procurámos desenvolver a economia sem a proteger. Foi preciso surgir uma nova pandemia em larga escala para irmos à história encontrar crises equiparáveis.

Quando surge um vírus que nos demonstra que afinal continuamos à mercê e que sempre estaremos caímos na realidade, que afinal continuamos frágeis como sempre estivemos, que esquecemos que sempre existirão vírus, novas doenças, que a nossa única protecção será o desenvolvimento cientifico e medicinal, que a estabilidade e a "vida normal" dependerá tão só do engenho humano em criar uma inovação que nos tire de onde nos encontramos e que acabe com este miasma pestilencial, até que venha o próximo.

Telhados de vidro

Pela Europa tem sido uma constante a referência ao modo como Donald Trump tem gerido o combate à pandemia nos Estados Unidos da América. Ainda ontem à noite vi essa referência por parte de um comentador no 360 da RTP3.

Julgo que chegámos a um limite. Continuar a falar do modo como se gere a pandemia no outro lado do Atlântico começa a ser de um moralismo emproado já a roçar o ridículo. A Europa, no seu conjunto, acabou há dias de ultrapassar os EUA em número de infectados e continuamos a ser mais exigentes com uma administração que não é a nossa. Tenho para mim, que o tempo que se continua a ocupar com Donald Trump nesta matéria, só visa desviar a nossa atenção de sermos exigentes com quem realmente devemos.

Análise às eleições nos EUA

Apesar da exaustão que o apuramento dos resultados está a causar, não há como negar que as eleições americanas são o facto político mais importante a ocorrer por estes dias no mundo. Os resultados trazem consequências para a segurança mundial – risco e perigo de guerra, bem como para as alianças que nos afectam directamente. Acrescente-se consequências também para o cumprimento de tratados internacionais, os esforços relativos às alterações climáticas e, muito importante, a prevalência da democracia.

O último ponto é especialmente importante, porque não falo apenas na manutenção da democracia no outro lado do Atlântico, mas também da réplica que daí costuma advir, com enorme poder replicativo em países que olham para o exemplo de Trump. Isto implicará uma degradação significativa da verdade e do valor dos factos.

O caminho traçado pelos resultados que vão surgindo demonstra uma profunda divisão nos EUA, com valores tangenciais, praticamente residuais no voto popular, com uma diferença de décimas na Geórgia, e diferenças percentuais numa média de 1 a 2% em diversos outros estados. Esta proximidade não dará uma vitória clara no voto popular e põe em evidência a imensa "América" dividida. O presidente que daqui sair não terá um país com ele. Pelo contrário, terá meio país que poderá não o considerar legítimo para o cargo. E isto é especialmente perigoso pela cada vez maior evidência de fanatismos. Se Biden vencer não terá paz. Terá como missão maior ser o guardião do que restará da democracia americana. Não me parece, no entanto, que tenha a vitalidade suficiente para tal. Será por isso muito importante o apoio de retaguarda para vingar.

No meio deste “arrastamento na lama” há dois pontos positivos para a democracia: nunca houve tanta gente a mobilizar-se para votar e o processo eleitoral decorreu sem que tivessem ocorrido confrontos significativos. No entanto, acredito que as perturbações só agora irão começar a surgir. Não vai ser fácil tirar Trump do caminho porque um dos itens básicos da democracia é saber aceitar a derrota e Trump não é propriamente o melhor seguidor de regras democráticas. É possível que numa primeira fase se recorra aos tribunais para atrasar o processo, mas este posicionamento leva a modelos pré-democráticos de transição de poder, que sem a aceitação da derrota, se resolve a transição de forma mais violenta, nomeadamente com milícias e confrontos armados. Veja-se a venda de armas, que disparou 95%.

Em todo o processo eleitoral americano não se viu referência a qualquer política externa. Uma superpotência que esteve à frente na liderança mundial e que deixa de dar importância à política externa está a dar um passo atrás e a deixar livre um lugar que será ocupado por outros. É um erro.

A comunicação e as novas medidas pandémicas

Quando estive envolvido na estrutura da organização de jogos da Primeira Liga de futebol pude verificar a importância que se dá à gestão e comunicação com as massas. É outro jogo táctico que quem frequenta os estádios não imagina. Fiquei bastante surpreendido, pela positiva, da capacidade da nossa Polícia de Segurança Pública, da inteligência que possuímos nesta matéria.

É por saber do potencial que possuímos que menos compreendo o modo como o nosso Governo se tem dirigido às pessoas. Vivemos tempos inéditos, históricos, mas acima de tudo exigentes. Por isso mesmo, não aceito o modo amador como está a ser feita a comunicação à população, aparentemente sem que se recorra a quem entende como a mesma deve ser feita.

Em cada excepção que se cria, em cada argumento que se dá, a complexidade multiplica-se. Tem de haver clareza e uniformidade. Quando o Governo mostra um mapa em que coloca 70% da população com determinadas medidas e exclui apenas 30% da população, está a criar 100% de confusão. Esta realidade em que se coloca as pessoas a necessitarem de verificar se o seu município se inclui ou não nas medidas complica numa altura em que tudo deve ser simplificado. A exclusão pouco significativa de quem não é abrangido pelas medidas pedia que as regras fossem generalizadas para maior cumprimento, uniformidade e êxito na implementação.

No que toca à medida que impede as pessoas de circularem para fora dos seus municípios, é ridícula, porque os efeitos no combate à disseminação do vírus são pouco significativos. Leva até a situações caricatas, em que alguém de Valença não pode passar para Monção, Vila Nova de Cerveira ou Paredes de Coura, mas já poderá passar a fronteira internacional e dirigir-se para Tui (Espanha).

A fraca comunicação, os frágeis argumentos e as contradições estão a dar aso à desconfiança, descrença e falta de credibilidade do Governo. Contribui ainda mais para a fadiga, para a revolta e para a desobediência. Pior, dá argumentos ao radicalismo.

O TGV de Ponte de Lima

Troço ferroviário Porto-Vigo no Plano Nacional de Investimentos (PNI) 2030

A moda da construção massiva de polidesportivos em inúmeras freguesias é exemplo do mau uso dado aos fundos comunitários. A par disso soma-se as rotundas, auto-estradas paralelas, parques industriais, entre outros possíveis exemplos de iniciativas bacocas e desnecessárias que agora se encontram ao abandono.

Quando se fala em comboio de alta velocidade o bacoquismo está no interesse da localização das suas paragens dando lugar ao ridículo. Um comboio de alta velocidade tem de ter o menor número de paragens possível limitando-se às localizações de maior fluxo de passageiros. Se idealizamos um comboio de alta velocidade com um excessivo número de paragens, diminuímos o seu potencial de encurtamento de tempo entre as cidades.

No debate do comboio de alta velocidade vem à baila o ponto anterior, em que quase se pede uma paragem em cada concelho. O traçado anunciado no Plano Nacional de Investimentos (PNI) 2030 entre Porto e Vigo não podia ficar de fora do chamamento de ideias parolas de quem não entende a dimensão e o fim do projecto.

Em 2009 o presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima – Victor Mendes – garantia que ia combater os dois traçados previstos para a passagem do comboio no seu concelho. Alegava serem “muito maus” ao nível ambiental e social. Acredito que tivesse a sua posição bem fundamentada porque de facto existem diversos constrangimentos e restrições que se impõem. (fonte)

Onze anos depois Victor Mendes esqueceu as questões ambientais e sociais e vem agora defender uma “paragem técnica” em Ponte de Lima. (fonte)

No fundo seria uma paragem para manutenções, permitindo também que passageiros, em algumas situações de carácter excepcional, pudessem parar (…) o traçado é muito idêntico àquele que foi definido para o TGV há cerca de uma década e é essa a posição que vamos defender quando formos confrontados com esse investimento.

Cá está, uma paragem ridícula para “manutenções” com movimento excepcional de passageiros a troco da aceitação de um traçado ferroviário. A cerca de meia-hora do Porto, o senhor presidente está à espera de “manutenções” em Ponte de Lima e a construção de um apeadeiro para movimento de passageiros esporádicos. Vê-se tanta lucidez neste discurso que até me cega a consciência.

No troço Porto-Vigo apenas se justifica paragem em Braga e eventualmente em Valença. Colocar Ponte de Lima na equação é transformar o comboio de alta velocidade num comboio a vapor.

O milagre

A Igreja Católica é das instituições mais conservadoras do nosso tempo. Costuma-se dizer que o seu "atraso" para com a contemporaneidade é de 100 anos. O estilo do Papa Francisco quebra a tradição mais formal. Possui uma abordagem de extrema humildade. Com a abertura que pretende que a igreja tenha para com a sociedade, como seja este último apelo que fez à integração de casais homossexuais na vida da igreja, tem posto a nú a imensa oposição existente contra si, particularmente de teólogos conservadores. Com tamanho atrito sistémico a eleição do Papa Francisco pode bem ter sido um milagre. Infelizmente, dada a sua idade, não viverá o bastante para conseguir mudanças definitivas na igreja. Temo até, que à sua morte, a igreja recue e se volte a fechar sobre si própria.

“Vacina” à portuguesa

A aplicação móvel "StayAway Covid"

O objectivo primordial do Governo ao investir no desenvolvimento deste tipo de aplicação é colmatar a falta de capacidade em rastrear os contactos das pessoas infectadas. Os governantes viram aqui uma oportunidade de evitar contratações, evitar maiores gastos em recursos humanos, como se o SNS já não fosse carente nessa matéria, mesmo antes de começar esta crise sanitária. Muitos saberão que antigamente diversas instituições públicas, como sejam as escolas ou os centros de saúde, possuíam pelo menos uma pessoa cujas funções eram de telefonista. Pois à medida que os telefonistas deste país, dos diversos serviços públicos, se foram reformando, extinguiu-se esse lugar e distribuiu-se a função por trabalhadores de secretariado, funcionários cujas funções eram apenas o atendimento presencial e viram-se com mais este papel a desempenhar, e até, por vigilantes de segurança privada, cujo papel de controlo de acessos se vê acumulado com esta tarefa que em nada tem a ver com a cultura de segurança. É deste tipo de recursos humanos que também o SNS está carente, e um telefonista não leva quatro ou cinco anos a formar-se como um médico ou um enfermeiro intensivista. Elaborar uma aplicação para substituir uma tarefa humanizada, como se na saúde a humanização não fosse importantíssima, a mim não me convence.

A aplicação baseia o seu funcionamento no Bluetooth. Mas a própria limitação tecnológica do Bluetooth impede a aplicação de ter a capacidade de medir distâncias e de avaliar apenas o que está até dois metros. O Bluetooth tem uma cobertura que anda à ordem dos dez metros. A diferença do ideal dois metros para uma realidade no terreno que vai aos dez metros é uma diferença que desencadeará muitos mais falsos alarmes, subcarregando ainda mais o sistema, com contactos desnecessários para o centro de contactos do SNS, realização de testes desnecessários, e uma maior quantidade de processos igualmente suportados pelo SNS. Os dez metros que o Bluetooth é capaz de cobrir só diminuem à medida que se colocam obstáculos na frente, como paredes, divisórias, vegetação, etc. A aplicação usando esta tecnologia poderá detectar, por exemplo, contactos próximos dois andares acima ou abaixo de nós num mesmo prédio. Pode associar que todo um escritório open space é um contacto próximo de nós, mesmo sem o ser. É esta falta de definição que também não me convence, retirando a credibilidade e confiança que se poderia ter com a aplicação.

Quando a aplicação portuguesa foi desenvolvida, muitas outras internacionalmente já se encontravam em uso. Apesar de se ter constatado que a nível internacional este tipo de soluções estavam a ser um completo fracasso, o projecto português nunca parou. O Primeiro-Ministro quer empurrar a responsabilidade para a população, mas quem tem de justificar o investimento público de 400 mil euros é ele, que teimosamente avançou com este paliativo como se tratasse da invenção da vacina portuguesa.

Por outro lado, o autoritarismo que o próprio Primeiro-Ministro já admitiu ter praticado ao querer impor o uso da aplicação nunca resolveu nenhuma pandemia. Pelo contrário, cria repulsão, revolta e falta de confiança. Custa-me a crer que isto tenha sido apenas para o “abanão” que António Costa julga necessário. E como me custa a acreditar que o Primeiro-Ministro visse este caminho como válido, sendo ele um político ardiloso, a dita bomba autoritária foi atirada com o intuito de criar o ruído necessário para que se desvie a atenção das negociações do Orçamento do Estado. Não deixará, no entanto, de ter consequências políticas, pois nem a brincar o autoritarismo é bom.

Prontos para a “bazuca”

A probabilidade de vir aí uma “pipa de massa” deixou este pacato país inquieto. Os abutres descaradamente chegam-se à frente nervosos e desavergonhados, tropeçando uns nos outros. O debate sobre a corrupção e o mau uso que tradicionalmente se dá aos dinheiros públicos não vai acabar. A prática não abrandou e continua bem presente. Exemplo disso é a derrapagem nas obras do antigo Hospital Militar de Belém.

Os indícios de derrapagem já há muito circulavam, mas só na passada semana o Governo, discretamente, confirmou que estavam estimados 750 mil euros para as obras e que a factura subiu até aos 2,6 milhões. Trata-se de uma derrapagem colossal, estranhamente sem reacções. A notícia surgiu discretamente e assim permanece. Com as distracções viradas para o Orçamento do Estado, deixando a oposição anestesiada, a comunicação social ocupada e o cidadão manso. Como não houve exposição, não há pressão para um maior alongamento nas informações. Não há simplesmente respostas e avança-se para uma auditoria, que se perderá no tempo, com conclusões dúbias, só para não se dizer que nada se fez.

A proposta do Governo para a alteração às regras da contratação pública de modo a agilizar as empreitadas e a atribuição dos fundos europeus foi considerado pelo Tribunal de Contas como facilitador à corrupção. Dias depois, o presidente do Tribunal de Contas não viu o seu mandato renovado. O momento em que isto ocorre pode querer dizer tudo ou não querer dizer nada, mas não deixa de levantar a suspeita. Pois afinal, não mudámos nada.