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Último Reduto

O pensamento é o meu refúgio, o último reduto daquilo que sou.

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O pensamento é o meu refúgio, o último reduto daquilo que sou.

Um covid ao desleixo

Ouvi um colega meu a argumentar que a origem desta crise, em que o desemprego aumenta, que fecha empresas, que aniquila o turismo, que sobrecarrega os serviços de saúde e que faz dos lares antecâmaras da morte, não é o vírus ou a doença por ele provocada. A culpa “é dos jornalistas que vão foder isto tudo”. Para quem já esteve infectado – ele próprio – revela grande consciência do que se passa. Aliás, a maioria dos meus colegas que já foram infectados revelam tamanha consciência, que permanecem no uso da máscara com o nariz de fora.

No sábado, um telefonema desde um dos maiores centros comerciais de Braga indicava que o número limite de pessoas dentro das lojas não estava a ser respeitado. A maioria dessas pessoas nem sequer lá teria ido para fazer compras, mas como chovia, e como é hábito, quem não está para permanecer em casa sossegado, dirige-se para os centros comerciais.

Há dias, ao passar por um quiosque com esplanada, junto ao Centro de Nanotecnologia de Braga, deparei-me com um amontoado de idosos – eram uns vinte, no mínimo – em que uns andavam de máscara ao queixo e outros nem máscara apresentavam. Enquanto a meteorologia permitiu, também o jardim do centro de Caldas das Taipas era ocupado por idosos que se juntavam – decerto – à procura do “bicho”.

Os homens de meia-idade, tal como os idosos, não estão para aturar as mulheres. Era ver esplanadas cheias e as cervejas à frente. Distanciamento é que não havia, mas pelo menos havia tremoços.

São inúmeras as pessoas que fazem o uso da máscara apenas para poderem frequentar os espaços onde ela é obrigatória. Tal como a estudantada que agora a tem de usar na escola, mas mal saem cá para fora, em ameno convívio, tiram-nas fora.

Eu não gosto de me ver neste lado crítico e de observador do que andam afinal os outros a fazer da sua vida. Nem estes exemplos são a maioria – assim espero. Nem tão pouco me vejo com uma moralidade superior, mas cumpro com o que se exige muito antes de ser obrigatório. Não deixo, no entanto, de suspeitar que pelo menos uma bactéria anda a atacar as cabecinhas de muita gente. É certo que o covid pode não matar a maioria – quem somos nós para pôr a vida de uma minoria em causa; pode até ser maioritariamente assintomática e, como o cigarrinho, dois copitos ou mesmo uma passa, está a acabar por ser socialmente aceite.